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FAMÍLIA ACOLHEDORA: HISTÓRIAS DE APEGO E DESPEDIDA EM PARANAGUÁ

Programa da Prefeitura oferece acolhimento temporário com apoio técnico e preparação às famílias

O Programa Família Acolhedora da Prefeitura de Paranaguá tem transformado vidas ao oferecer lares temporários a crianças e adolescentes afastados por decisão judicial. Duas histórias recentes mostram o impacto do serviço.

A costureira Míriam Lourenço Teodoro Brites pensava que receberia uma criança. Na primeira ligação, a surpresa: “Míriam, você tem interesse? Só que são dois, são gêmeos.” Ela não hesitou. “Meu! Que maravilha!”, relembra, sorrindo.

Os gêmeos ficaram com Míriam por um ano e sete meses. A rotina da casa mudou e a família recebeu as crianças com entusiasmo. “Quando meu filho chegou do trabalho e viu eles, ficou muito feliz.” No momento da despedida, as lágrimas vieram: “Foi um chororô. Muito difícil.” Mesmo assim, Míriam conclui que valeu a pena: “No começo a gente sofre, mas depois entende que pode ajudar outras crianças. Foi um período difícil, mas fica a certeza de que contribuímos para mudar uma história.” Ela hoje incentiva outras pessoas: “Eu recomendo. É uma troca de amor. A gente cuida, ensina, mas também aprende muito com as crianças.”

Outra acolhedora, Adriana Varela, descobriu o programa pela igreja e decidiu se habilitar. O maior medo era o apego: “Muita gente diz que não participa porque vai se apegar. Mas esse é justamente o propósito”, contou. Ela já acolheu duas crianças e diz que o amor surge naturalmente: “Você não sabe como a criança vai chegar. É igual a um filho biológico. Você simplesmente ama.”

Adriana lembra que as crianças chegam com marcas e desafios. “Elas chegam cheias de desafios. O nosso papel é reconstruir essa criança para que ela possa seguir a vida.” O apoio da equipe técnica foi decisivo: “No primeiro acolhimento eu não sabia o que fazer. A assistente social e a psicóloga estiveram presentes o tempo todo. Isso fez toda a diferença.”

Sobre a despedida, ela afirma que dói, mas traz a sensação de missão cumprida: “É a pior parte, porque dói muito, é quando temos que dizer adeus. A gente chora. Mas também sabe que cumpriu a missão e que aquela criança encontrou um lar definitivo.” Adriana compara o ato de acolher a salvar alguém à deriva: “É como ver uma criança à deriva e ter uma prancha de salvamento nas mãos. Você deixa passar ou estende a mão? Eu acredito que nós somos essa tábua de resgate”.

A coordenadora do programa, Valéria Gomes, explica como as famílias se preparam: “Elas apresentam a documentação, participam de entrevistas com a assistente social e a psicóloga, recebem visita domiciliar e fazem uma capacitação sobre o acolhimento e os direitos da criança.” O acompanhamento segue enquanto a criança estiver na residência: “Nós caminhamos junto com essas famílias. Elas nunca estão sozinhas. A equipe técnica acompanha todo o processo”, afirma.

Quem quiser saber mais pode procurar a equipe do Família Acolhedora na Rua João Eugênio, nº 306, bairro Costeira, ou pelo WhatsApp (41) 92005-0609 para receber as primeiras orientações.

Ao fortalecer iniciativas como essa, a Prefeitura amplia a rede de proteção à infância e oferece às crianças a chance de viver em um ambiente familiar com cuidado e segurança enquanto seu futuro é definido.

Fonte: Prefeitura de Paranaguá

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