O Brasil amanheceu mais triste esta semana. Uma tragédia envolvendo uma menina de apenas 8 anos acendeu o alerta para um problema cada vez mais comum nos lares: o uso indiscriminado de celulares por crianças pequenas, sem qualquer tipo de supervisão.
Sara Raíssa Pereira, moradora do Distrito Federal, morreu após participar de um “desafio” popularizado nas redes sociais, especialmente no TikTok. Ela inalou gás de desodorante aerossol, em uma brincadeira absurda que a levou à parada cardíaca. Mesmo após esforços médicos, não resistiu e teve morte cerebral decretada dias depois.
Segundo a médica que a atendeu, Sara era saudável, sem qualquer comorbidade. “Uma menina de 8 anos, sem nenhuma doença, perdeu a vida por conta de uma brincadeira de mau gosto”, desabafou, emocionada. A dor nos olhos da profissional de saúde se soma ao desespero de uma família que agora precisa lidar com a perda irreparável — e ainda buscar ajuda para custear o funeral.
A Polícia Civil investiga o caso e já afirmou que o responsável pela publicação do desafio pode responder por homicídio duplamente qualificado. Mas a pergunta que fica é: quantas Saras ainda precisarão morrer para que algo mude de verdade?
Crianças sozinhas com celulares: um risco silencioso
Com a correria do dia a dia, muitos pais recorrem ao celular como uma distração para os filhos. Parece inofensivo: vídeos de desenhos, joguinhos, vídeos engraçados. Mas a internet não tem filtros naturais. Crianças com acesso irrestrito a plataformas como TikTok, YouTube e Instagram estão vulneráveis a conteúdos perigosos, desafios virais, discursos de ódio e até assédio.
Um relatório da ONG SaferNet Brasil apontou que o número de denúncias envolvendo crianças em conteúdos perigosos cresceu 78% no último ano. Especialistas alertam: o problema não está apenas nas redes, mas na falta de presença ativa dos responsáveis. Criança não tem maturidade para distinguir o que é real, o que é seguro, o que é perigoso.
Desafios que matam, likes que custam vidas
O caso de Sara Raíssa não é isolado. Já foram registrados casos semelhantes em outras partes do Brasil e do mundo. “Desafios” como “blackout challenge”, “desodorante challenge” e até brincadeiras envolvendo cordas no pescoço circulam com velocidade assustadora nas redes sociais. Muitos são apresentados com trilhas sonoras divertidas e aparência inofensiva. Mas por trás disso, há risco real de morte.
Esses conteúdos, muitas vezes, escapam dos olhos dos algoritmos e são consumidos por crianças que buscam “aparecer”, ser aceitas ou simplesmente se divertir. Mas o preço pode ser fatal.
É hora de agir: o celular não pode ser babá
Mais do que culpar a tecnologia, é preciso entender que o celular não substitui a presença dos pais. O diálogo em casa, o monitoramento do que a criança acessa, a definição de horários e limites, o uso de ferramentas de controle parental — tudo isso é fundamental para garantir a segurança dos pequenos.
Pais, mães, avós, tios, educadores: estejam atentos. Olhem o que seus filhos estão assistindo. Conversem com eles sobre o que é certo, o que é seguro e o que é inaceitável. Ensinem desde cedo que nem tudo que viraliza deve ser seguido.
A internet pode ser uma aliada na educação e no entretenimento, mas, quando mal usada, vira uma armadilha silenciosa. Que a história de Sara Raíssa não seja apenas mais uma estatística. Que ela seja um grito de alerta, um pedido de socorro, um convite à responsabilidade.
