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TCE APONTA FALHAS GRAVES EM CONTRATOS DE R$ 13,8 MILHÕES NA GESTÃO MARCELO ROQUE 

Análise técnica do Tribunal de Contas aponta falhas no planejamento, execução e controle de contratos da saúde, além de questionar valores praticados e a comprovação dos serviços realizados na gestão anterior; atual administração afirma que suspendeu os contratos e acionou órgãos de controle

Uma auditoria preliminar da Coordenadoria de Acompanhamento de Atos de Gestão do Tribunal de Contas do Estado do Paraná trouxe à tona uma série de apontamentos sobre contratos firmados pela Prefeitura de Paranaguá com a empresa AGP Saúde Ltda., que somam R$ 13,8 milhões.

Os fatos analisados se referem ao período entre novembro de 2022 e fevereiro de 2025, ou seja, à gestão anterior, ligada ao ex-prefeito Marcelo Roque.

A atual administração informou que não realizou pagamentos à empresa, suspendeu os contratos e encaminhou toda a documentação aos órgãos de controle, incluindo o Ministério Público do Estado do Paraná, além de buscar o ressarcimento de valores que podem ultrapassar R$ 9 milhões.

COMO OS CONTRATOS FORAM FEITOS

A auditoria mostra que a Prefeitura firmou cinco contratos seguidos com a mesma empresa, sempre por meio de chamamentos públicos em que apenas a AGP Saúde foi habilitada.

Embora esse tipo de contratação seja permitido, o Tribunal aponta que, neste caso, não houve concorrência efetiva.

Segundo os técnicos, o próprio formato dos editais — que exigia a realização conjunta de exames e análises estatísticas em larga escala — pode ter limitado a participação de outras empresas.

O resultado prático foi a repetição de contratos com um único prestador.

Os valores cresceram rapidamente:

  • R$ 612 mil no fim de 2022
  • mais de R$ 2 milhões no início de 2024
  • R$ 3,8 milhões em julho de 2024
  • chegando a um edital estimado em R$ 6,1 milhões no final do período

A atual gestão também informou que, do total empenhado, mais de R$ 7,3 milhões foram pagos apenas em 2024, sendo que cerca de R$ 1,5 milhão foi repassado no último dia útil da administração anterior. Segundo o município, o dado faz parte da documentação encaminhada aos órgãos de controle.

VALORES E CRITÉRIOS SOB QUESTIONAMENTO

Outro ponto relevante da auditoria envolve os valores pagos.

O relatório aponta que o custo por atendimento utilizado nos contratos era de cerca de R$ 61,96, enquanto análises técnicas indicam uma média de mercado significativamente menor, em torno de R$ 16,39.

Essa diferença, segundo o Tribunal, precisa ser aprofundada para verificar eventual incompatibilidade com os preços praticados.

Além disso, foram identificadas situações consideradas inadequadas do ponto de vista técnico, como a inclusão de exames sem indicação clínica compatível — entre eles, registros de exames de próstata em mulheres, o que não possui aplicação médica.

Também foi apontada possível duplicidade na cobrança de custos relacionados ao deslocamento das equipes.

REGISTROS QUE LEVANTAM DÚVIDAS

A parte mais sensível do relatório está na análise dos dados lançados no sistema da saúde.

Os auditores identificaram:

  • exames duplicados em pacientes
  • divergências entre o que foi contratado e o que foi registrado
  • ausência de comprovação integral dos serviços

Além disso, o relatório aponta que nem todos os pacientes receberam o conjunto completo de exames previsto nos contratos, o que levanta questionamentos sobre a execução total dos serviços pagos.

APONTAMENTOS MAIS GRAVES

Entre os achados, há registros considerados incompatíveis com a realidade assistencial.

Foram identificados lançamentos de exames em prontuários de pacientes já falecidos, com datas posteriores ao óbito. Para o Tribunal, esse tipo de ocorrência é classificado como materialmente impossível e precisa de esclarecimento detalhado.

A auditoria também menciona indícios de inserção de dados sem comprovação de atendimento correspondente, o que pode comprometer a confiabilidade das informações utilizadas para validar os pagamentos.

FALHAS NA FISCALIZAÇÃO

O relatório também aponta problemas no acompanhamento dos contratos.

Segundo o TCE, mesmo diante de inconsistências, os serviços continuaram sendo atestados e pagos, sem registro de medidas proporcionais às falhas identificadas.

A análise indica ainda que não houve auditoria específica por parte da controladoria municipal da época, o que reforça a avaliação de fragilidade nos mecanismos de controle interno.

O QUE PODE ACONTECER

A auditoria é preliminar, mas já aponta possíveis desdobramentos.

O Tribunal de Contas do Estado do Paraná indicou que os fatos podem resultar em responsabilizações nas esferas administrativa, civil e, conforme o caso, penal.

O material foi encaminhado ao Ministério Público do Estado do Paraná, que deve avaliar a continuidade das investigações. O caso também pode ter relação com apurações mais amplas sobre contratações semelhantes em outros municípios.

O QUE ESTÁ EM ANÁLISE

A auditoria tem caráter preliminar, e os apontamentos ainda dependem de análise conclusiva. Ainda assim, o conteúdo do relatório evidencia a necessidade de aprofundamento sobre como contratos de alto valor foram estruturados, executados e fiscalizados na área da saúde.

Em um cenário que envolve recursos públicos e prestação de serviços essenciais, o avanço das investigações será determinante para esclarecer se houve apenas falhas administrativas ou irregularidades de maior gravidade.

Fonte: Folha do Litoral News

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