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Secretário de Segurança do Paraná aponta causas da violência no litoral: álcool, brigas e falta de iluminação pública

Por Aline Cardoso

Durante uma reunião realizada em Paranaguá nesta segunda-feira (02) o secretário estadual de Segurança Pública do Paraná Hudson Leôncio Teixeira, fez um balanço das ações desenvolvidas pelas forças policiais no estado, com foco no litoral. Acompanhado de delegados, representantes da Polícia Militar, Polícia Penal e Polícia Científica, ele avaliou os números de criminalidade e os impactos de programas como o Mulher Segura.

A reunião encerrou uma série de encontros que vêm sendo feitos em todo o Paraná. Segundo o secretário, o objetivo foi compreender os fatores por trás da criminalidade em cada região e identificar práticas que ajudaram a reduzir os índices de violência.

“Nós estamos concluindo agora as reuniões de análise criminal no estado do Paraná, já fizemos em todo o estado e concluímos agora essa semana aqui no litoral do estado, nos municípios. E o objetivo é justamente fazer o que nós fizemos nos outros municípios, né, conversar com os delegados de polícia, com os comandantes da polícia militar, com a polícia penal, polícia científica, enfim, com todos os envolvidos na segurança, e verificar nessa análise criminal quais foram as motivações dos crimes que ocorreram no ano passado, quais foram as boas práticas estabelecidas por eles que geraram uma redução significativa em todo o estado, número de homicídios, também feminicídios, e com base nisso, né, nortear o nosso planejamento para os próximos meses aí no estado do Paraná.”

Redução de homicídios e integração entre polícias

O secretário afirmou que os dados deste ano mostram queda no número de homicídios em todo o litoral, e atribuiu essa redução à atuação conjunta das forças de segurança.

“Eu acho que o essencial é a integração entre as polícias, nós estamos colhendo agora frutos da integração, ela vem desde 2023, então a gente trabalha de forma muito coesa entre as equipes, cada polícia respeitando a sua missão constitucional, os dados são unificados e as estratégias para coibir aquele crime também são de acordo com cada motivação.”

Ele explicou que diferentes crimes exigem estratégias específicas. Para situações de tráfico de drogas, o foco é na inteligência. Já para brigas e rixas, o policiamento ostensivo é mais efetivo. O secretário também citou ações voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher.

Programa Mulher Segura capacita policiais em abordagem a vítimas de violência doméstica

Segundo o secretário, houve uma mudança de postura nas forças policiais em relação ao enfrentamento da violência doméstica. Ele ressaltou que o programa Mulher Segura — aliado ao “De Homem para Homem” — está sendo ampliado e já apresenta resultados expressivos.

“Nós tivemos no ano passado uma experiência muito boa, onde nós atuamos com a Mulher Segura. Então, no ano passado, nos municípios que nós pegamos como piloto, nós vimos que, graças à campanha, nós diminuímos 17% o número de mortes de mulheres.”

Além da queda no número de feminicídios, o secretário destacou o aumento no número de policiais capacitados para ministrar palestras sobre o tema.

“Nós tínhamos em torno de 50 policiais civis e militares que ministravam palestras no ano passado. Hoje, nós estamos, agora, nesse momento, capacitando o maior número possível de policiais. Já passa de 500 policiais capacitados para fazer frente a esse tipo de palestra, que é uma fala diferente, uma fala que você tem que dar o mesmo recado, mas para públicos diferentes e níveis sociais diferentes.”

Operação Verão não é mais o único reforço no litoral

Outro ponto abordado foi a sazonalidade da criminalidade no litoral, que costuma aumentar nos meses de alta temporada. O secretário afirmou que o governo estadual ampliou as operações fora do período da Operação Verão, garantindo presença constante das polícias.

“Nós percebemos que o litoral do Estado não se limita à Operação Verão. Então, em razão disso, nós temos feito operações diretas ao longo do ano todo e já agora, nesses cinco meses, nós estamos demonstrando isso, porque acabou a Operação Verão, mas os números continuam baixando.”

Ele afirmou que, diferentemente de anos anteriores, quando os índices voltavam a crescer após o verão, agora os dados se mantêm em queda.

População em situação de rua preocupa autoridades

O secretário também comentou sobre o aumento da população em situação de rua no litoral, especialmente em municípios como Paranaguá. Ele associou esse fenômeno ao crescimento urbano e ao deslocamento de pessoas de outras regiões em busca de oportunidades.

“Quando o município está crescendo, ele traz consigo mão de obra, muitas vezes de outros estados ou do interior do Estado, a qual não é absorvida o tempo todo. Então, as pessoas acabam ficando desempregadas, acabam caindo no alcoolismo ou utilizam drogas e acabam virando marginais se o Estado não tiver atento.”

A proposta, segundo ele, é atuar de forma preventiva, oferecendo encaminhamentos sociais e oportunidades, sem medidas coercitivas.

“Obviamente que a gente não pode fazer nenhum encaminhamento coercitivo dessas pessoas, mas pelo menos está dando oportunidade a elas de ter uma nova vida.”

Tráfico de drogas é combatido, mas nem todo crime está ligado a ele

Apesar do alto número de apreensões, o secretário alertou para uma generalização incorreta de que todos os crimes estariam ligados ao tráfico. Ele citou outras causas, como consumo de álcool, brigas e falta de iluminação pública.

“Nem todos os crimes ocorrem decorrente do tráfico de drogas. Então se usa muito isso, é óbvio que nós temos regiões onde o tráfico e o uso de drogas carregam outros crimes, mas por isso que nós estamos trabalhando aqui, que muitos crimes que nós vimos aqui são em decorrência de brigas, de rixas, de ingestão de bebida alcoólica, de falta de iluminação pública, de distribuidoras vendendo bebidas sem autorização, enfim, que não diz respeito ao tráfico de drogas.”

Mesmo assim, destacou o volume de drogas apreendidas neste ano:

“Foram quase 200 toneladas só agora, neste ano, apreendida pelas nossas polícias no nosso Estado.”

Armas novas e segurança portuária

O secretário confirmou a entrega recente de armamentos que serão distribuídos entre as viaturas da polícia. Ele disse que os agentes estão sendo treinados para o uso adequado dos novos equipamentos.

“Essas armas, elas foram adquiridas, foram entregues semana retrasada, se não me engano, não lembro a data exata, não faz um mês. Nós temos urgência nisso, os nossos policiais estão sendo habilitados a utilizarem essas armas. Cada viatura de polícia terá uma arma nessa disposição para o emprego operacional.”

Por fim, o Porto de Paranaguá também entrou na pauta. A Secretaria afirmou que a segurança portuária está sendo tratada em parceria com órgãos federais por meio do Gabinete de Gestão Integrada do Litoral.

“Aqui nós temos também a questão internacional, o Porto de Paranaguá é uma porta aberta para o Brasil e para o mundo. Isso já tem sido tratado através do Gabinete de Gestão Integrada do Litoral, que nós criamos também, no termo da fronteira temos aqui no Litoral também e a gente interage muito com a Polícia Federal.”

Fotos: Aline Cardoso

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