Nova regra muda data tradicional e mira preservação da espécie
O Instituto Água e Terra (IAT) alterou o calendário oficial do pinhão no Paraná e mudou uma tradição conhecida dos paranaenses. A partir deste ano, a colheita, o transporte e a venda da semente só estão liberados a partir de 15 de abril — e não mais no dia 1º, como ocorria anteriormente.
A mudança, prevista na Instrução Normativa nº 03/2026, busca proteger o ciclo natural da Araucária, árvore símbolo do Estado e parte fundamental da Mata Atlântica.
Na prática, a nova data tenta frear uma prática ainda comum: a retirada de pinhas antes do tempo. Segundo o IAT, quando colhidas verdes, elas apresentam alto teor de umidade, podem desenvolver fungos e ainda comprometem a reprodução da espécie.
De acordo com o técnico do Instituto, José Wilson de Carvalho, o adiamento garante que as sementes estejam maduras, com coloração mais escura, e caiam naturalmente das árvores — o que indica o ponto correto de consumo e coleta.
MULTA E CRIME AMBIENTAL
Quem desrespeitar a nova regra pode pagar caro: a multa é de R$ 300 a cada 50 quilos apreendidos, além de responder por crime ambiental.
A fiscalização será intensificada e contará com equipes do IAT e do Batalhão de Polícia Militar Ambiental ao longo de toda a temporada.
IMPACTO NA ECONOMIA
Além do valor cultural e ambiental, o pinhão também tem peso econômico. Em 2024, a atividade movimentou R$ 25,7 milhões no Paraná.
A produção se concentra principalmente em municípios da região Centro-Sul, com destaque para Pinhão, Inácio Martins, Turvo, Guarapuava e Prudentópolis.
A normativa também substitui regras anteriores e passa a ser o principal instrumento de controle da atividade no Estado.
Denúncias podem ser feitas diretamente aos canais do IAT ou à Polícia Ambiental.
Fonte: AEN
