Promotoria aponta cronograma invertido e suspeita graves de fraudes em obras de pontes.
Morretes, PR — O Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR), por meio da Promotoria de Justiça da Comarca de Morretes, instaurou um inquérito civil para apurar supostas irregularidades na execução e nos pagamentos das obras de construção de sete pontes no município, conduzidas pela Gestão Brindarolli.
O foco principal da investigação gira em torno de um termo aditivo contratual e de uma aparente contradição técnica e cronológica na execução física dos serviços pela empresa contratada.
O “Cronograma Invertido” que gerou o questionamento
De acordo com os autos do Ministério Público, o município formalizou um aditivo financeiro no valor de R$ 232.891,96 destinado ao pagamento de serviços de “escavação mecanizada e fundação”.
O ponto central que motivou a abertura do procedimento investigatório é a incompatibilidade temporal da execução dessa etapa da obra. O Promotor de Justiça da Comarca questiona formalmente a equipe técnica do município e os responsáveis pelo projeto sobre a viabilidade física do que foi atestado e pago.
Segundo o MP, os registros apontam que os serviços de escavação e fundação teriam sido executados e pagos no período de setembro e outubro de 2025. No entanto, a própria documentação da obra indica que a superestrutura das pontes — que compreende as vigas e as lajes — já havia sido integralmente concluída e paga meses antes, em maio de 2025.
Na engenharia civil, a fundação e a escavação são as etapas iniciais que dão sustentação à obra. A conclusão de uma superestrutura pressupõe que a base já esteja pronta, o que gerou a suspeita de inconsistência nos relatórios de medição.
Engenheiro é notificado a prestar esclarecimentos
Diante dos indícios de inconformidade no cronograma físico-financeiro, o Ministério Público expediu uma notificação oficial direcionada ao engenheiro responsável, Paulo Roberto C. Martines.
No despacho, o promotor determina:”Oficie-se ao Engenheiro Paulo Roberto C. Martines, objetivando que preste esclarecimentos, por escrito, de forma detalhada, de como foi possível executar ‘escavação mecanizada e fundação’, em setembro/outubro de 2025, sendo que a superestrutura (vigas e lajes) já havia sido paga e concluída em maio de 2025.”
Liberação de recursos em “tempo recorde” sob suspeita
Além do paradoxo cronológico da engenharia, outro fator que entrou no radar da investigação é a velocidade do fluxo financeiro dentro da administração municipal. De acordo com fontes que acompanham o caso, a tramitação interna, a liquidação e o efetivo pagamento do valor aditivado à empresa contratada ocorreram em tempo recorde.
O profissional tem o prazo de 15 dias úteis para protocolar as justificativas técnicas e apresentar os documentos que comprovem a regularidade dos serviços prestados.
Desdobramentos:
O inquérito civil busca apurar se houve prejuízo ao erário, falsidade em medições de obras públicas ou ato de improbidade administrativa. Caso as justificativas técnicas não consigam sanar as dúvidas do Ministério Público, o caso poderá desdobrar-se em uma Ação Civil Pública na Justiça local.
Até o fechamento desta matéria, a Gestão Brindarolli e a defesa dos citados não haviam se manifestado publicamente sobre as investigações.
O espaço segue aberto para o contraponto dos envolvidos.
Redação Clic Litoral
