Denúncia contra padre divide fiéis em Paranaguá e mãe da vítima quebra o silêncio
Por:
Redação Clic Litoral
O caso envolvendo um padre denunciado por importunação sexual dentro de uma igreja em Paranaguá ganhou grande repercussão nos últimos dias e tem dividido opiniões entre fiéis da comunidade católica local.
O religioso, que atuava na Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes, na Ilha dos Valadares, foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná por supostamente ter importunado uma jovem de 20 anos durante um momento de oração, em 2022. A Justiça aceitou a denúncia e o padre se tornou réu no processo.
Após a divulgação do caso, a Diocese de Paranaguá anunciou o afastamento cautelar do sacerdote e informou que abrirá uma apuração interna, seguindo o Código de Direito Canônico. Segundo o comunicado assinado pelo bispo Dom Paulo Alves Romão, a medida é preventiva e “destinada a proteger o bem comum e garantir a justa instrução do processo”.
Fiéis se manifestam nas redes sociais
Desde o anúncio, o tema tomou conta das redes sociais. Diversos fiéis se manifestaram em defesa do padre, descrevendo-o como uma pessoa carismática e de fé, afirmando não acreditar nas acusações. Em contrapartida, outros internautas têm reforçado a importância de deixar a Justiça agir e de respeitar a vítima.
Entre as manifestações, alguns comentários chegaram a direcionar ataques à denunciante, o que gerou preocupação entre moradores e autoridades. Especialistas lembram que a exposição e o ataque a vítimas de crimes podem causar novos traumas e, em alguns casos, configurar crime.
Outros internautas, no entanto, têm demonstrado solidariedade à vítima e cobrado respeito.
Pronunciamento da mãe da denunciante
Diante da repercussão, a mãe da jovem denunciando o caso decidiu se pronunciar publicamente. Em nota divulgada nas redes sociais, Ana Paula Mendes Branco Motta confirmou que a filha, Natália, é a vítima mencionada no processo.
Ela afirmou que a família vinha mantendo silêncio devido ao sigilo judicial, mas decidiu se manifestar após os ataques nas redes.
“Desde o ocorrido, esse assunto está em sigilo de justiça. Porém, com a denúncia feita pelo Ministério Público, tudo tomou outra dimensão e, com a facilidade das manifestações em redes sociais, onde as pessoas julgam sem lei e se permitem falar tudo, Natália está sendo bombardeada com as mais absurdas acusações”, escreveu.
Ana Paula também ressaltou que o boletim de ocorrência foi registrado em 2022, logo após o episódio, e que a família nunca pediu indenização, explicando que o pedido partiu do próprio Ministério Público.
“A denúncia feita foi apenas a atitude necessária de todos aqueles que sofrem qualquer tipo de agressão ou abuso”, afirmou.
A nota termina com uma mensagem de encorajamento às mulheres:
“Meninas, não se calem.”
Confira na íntegra:
O caso segue em tramitação na Justiça. A Diocese informou que continua acompanhando o processo e reforçou seu compromisso com a transparência, a justiça e o acolhimento das partes envolvidas.