Lideranças de caminhoneiros estão chamando uma greve nacional para esta quinta-feira (4), com convocações espalhadas por redes sociais e grupos de mensagens em todo o país. A ideia é pressionar o governo federal, mas nem todas as entidades da categoria concordam com a paralisação, o que pode reduzir a força do movimento.
Na terça-feira (2), um representante da União Nacional dos Caminhoneiros foi até Brasília levar uma lista de reivindicações à Presidência da República e avisar que a categoria pode parar se não houver resposta. Eles cobram melhor pagamento pelo frete, contratos mais justos, revisão das regras do transporte de cargas, linha de crédito específica para caminhoneiros e facilidades para renovar a frota com menos impostos.
Os líderes também pedem mudanças nas regras de descanso, alegando que muitos trechos de rodovias não têm estrutura para que os motoristas parem com segurança. Outra proposta é criar um tipo de “Justiça do Transporte” para resolver conflitos do setor e garantir que parte das cargas de empresas públicas seja destinada a caminhoneiros autônomos.
Entidades tradicionais, como a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos, dizem que não foram chamadas oficialmente e não reconhecem a greve como movimento da categoria. Nomes que ficaram conhecidos na paralisação de 2018 também criticam a convocação, apontando que o ato ganhou tom político ao incluir pautas como anistia para Jair Bolsonaro e para envolvidos nos eventos de 8 de janeiro.
A lembrança de 2018 ainda preocupa: naquela época, dez dias de greve causaram falta de combustíveis, problemas no abastecimento de alimentos, prejuízos para indústria e agronegócio e grandes transtornos em todo o país. O governo, na ocasião, só encerrou a crise após anunciar subsídio ao diesel, mexer na política de preços e criar a tabela mínima do frete, tema que continua gerando discussão até hoje.
