Uma pesquisa da Universidade Federal de Goiás (UFG) está mostrando que a cera do ouvido pode revelar sinais precoces de câncer, mesmo antes do aparecimento do tumor. O estudo, que vem sendo desenvolvido há uma década, analisou a composição química da cera coletada de voluntários e identificou alterações relacionadas a doenças graves.
O exame funciona como uma espécie de “impressão digital” da saúde do organismo. Mudanças químicas na cera podem indicar desde problemas metabólicos até o desenvolvimento inicial de células cancerígenas. A coleta é simples, rápida e ocorre em um ambiente protegido de contaminações externas, o que aumenta a confiabilidade do teste.
No estudo, amostras de 751 pessoas foram analisadas. Entre voluntários sem histórico de doenças, o teste conseguiu identificar sinais suspeitos de câncer em cinco casos, confirmados posteriormente por exames tradicionais. Pacientes em tratamento oncológico também tiveram a presença da doença detectada de forma precisa.
Casos como o de um voluntário que já havia superado um câncer anterior reforçam o potencial do método. Durante a pesquisa, alterações na cera indicaram a presença de um novo tumor, possibilitando o diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento, aumentando as chances de cura.
A iniciativa é conduzida em parceria com o Hospital Amaral Carvalho, em Jaú (SP), e os resultados do estudo foram publicados na revista científica Scientific Reports.
Segundo especialistas, a técnica ainda precisa de regulamentação, mas tem potencial para se tornar um método de diagnóstico rápido, acessível e de baixo custo, capaz de identificar doenças antes mesmo do surgimento de sintomas ou tumores visíveis.
