Na semana em que se celebra o Dia Mundial da Conscientização do Autismo (2 de abril), Paranaguá foi palco de uma importante ação voltada à inclusão e ao respeito: agentes da Polícia Militar e das Guardas Civis Municipais participaram de uma capacitação sobre abordagem a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O evento reuniu profissionais de diversas cidades do litoral e marcou um avanço no preparo das forças de segurança para lidar com a diversidade da população.
A palestra foi conduzida pelo Major Walter Ribeiro da Silva, da Polícia Militar do Paraná, que destacou a importância da qualificação contínua dos agentes. “Outras deficiências podem ser identificadas visualmente, mas o autismo nem sempre apresenta sinais visíveis. Por isso, é fundamental o uso de itens de identificação como o cordão de girassol, pulseiras e, especialmente, a CIPTEA — Carteira Nacional da Pessoa com Autismo”, explicou.
Conhecimento que salva: protocolos, empatia e ações práticas
A identificação visual e documental ajuda as forças de segurança a agir de forma mais precisa e respeitosa, especialmente em situações delicadas como casos de desaparecimento. Durante a Operação Verão, por exemplo, o uso desses identificadores ajudou a localizar crianças e jovens autistas, evitando maiores transtornos.

A Polícia Militar do Paraná já conta com um protocolo específico para atendimento a pessoas com TEA, definido pela Nota de Instrução nº 001/2022 PM3, que orienta os procedimentos de abordagem. Além disso, foi discutida a possibilidade de inclusão de símbolos do TEA na nova carteira de identidade, o que pode facilitar ainda mais o atendimento em emergências.
A voz da experiência: pais e mães que vivem o autismo no dia a dia
Um dos momentos mais tocantes da capacitação foi o depoimento da diretora da Guarda Civil de Matinhos, Gisele Gianni, que é mãe de um jovem autista de 18 anos. Visivelmente emocionada, ela relatou os desafios enfrentados pelas famílias e a importância de momentos como esse.
“Pra mim é muito importante estar aqui. A gente vive o medo de uma abordagem, da reação deles, do que pode acontecer. Eles precisam de muito cuidado. É um assunto que emociona, porque toca diretamente no nosso dia a dia”, compartilhou Gisele, reforçando a importância da capacitação não só como agente da segurança, mas como mãe.
Pontal do Paraná também presente: mais preparo, mais respeito
O supervisor Ramos, da GCM de Pontal do Paraná, reforçou a relevância do tema e destacou que muitos municípios litorâneos recebem pessoas de diversas regiões, o que torna ainda mais essencial o preparo das forças de segurança.
“Esse conhecimento facilita o modo de agir e abordar. É pouco divulgado, então uma palestra como essa ajuda muito a esclarecer dúvidas e garantir mais sensibilidade e respeito nas nossas ações”, afirmou.
Compromisso institucional com a inclusão
O evento foi idealizado em parceria pelas Secretarias Municipais de Segurança (Semseg) e Inclusão (Semi). Segundo o secretário de Segurança, Francisco Nóbrega, a ideia é unir todas as GCMs do litoral e policiais do 9° BPM em uma formação que aproxime as forças de segurança da população.
“É uma honra receber o Major Walter. Nosso objetivo é garantir que os agentes atuem de forma profissional e respeitosa com todas as pessoas”, disse.
A secretária de Inclusão, Isabelle Dias, destacou que essa é a primeira formação voltada aos guardas municipais com foco no autismo, e que novas ações estão previstas. “É com grande satisfação que realizamos, pela primeira vez, esse evento voltado aos guardas municipais, em parceria com as Secretarias de Inclusão e de Segurança. Nosso objetivo é fortalecer o conhecimento sobre o autismo e outros temas essenciais para a segurança pública, garantindo que nossos agentes estejam cada vez mais preparados para atender a população com respeito, empatia e eficiência. A formação contínua é um pilar fundamental para construirmos uma sociedade mais inclusiva e acessível para todos”, afirmou.

Um passo firme para uma sociedade mais humana
O Transtorno do Espectro Autista é um distúrbio do neurodesenvolvimento que pode se manifestar de formas muito distintas, exigindo diferentes níveis de suporte: leve, moderado ou severo. Quanto mais preparada estiver a sociedade — especialmente os profissionais da linha de frente —, maiores são as chances de garantir segurança, dignidade e respeito a essas pessoas.
A ação realizada em Paranaguá é um marco nesse caminho. Uma união de técnica, empatia e escuta ativa que mostra que segurança pública e inclusão podem — e devem — caminhar juntas.

