A ciência fechou o ano com duas descobertas que já estão movimentando pesquisadores, profissionais da saúde e especialistas em tecnologia. Um estudo europeu apontou que o consumo diário de amendoim pode melhorar a memória e o fluxo sanguíneo no cérebro. Outro, publicado na Nature Medicine, mostra que uma inteligência artificial é capaz de prever mais de mil doenças com até 20 anos de antecedência.
A seguir, você entende os dois trabalhos de forma clara e direta.
Amendoim diário melhora memória e circulação no cérebro, indica estudo holandês
Pesquisadores da Universidade de Maastricht, nos Países Baixos, revelaram que comer 60 gramas de amendoim por dia — o equivalente a um punhado generoso ou duas colheres de sopa de pasta de amendoim natural — trouxe ganhos expressivos na saúde cerebral de adultos mais velhos.
O estudo acompanhou 44 voluntários de média de 66 anos, todos saudáveis. Metade consumiu amendoim torrado sem sal diariamente durante seis meses. A outra metade recebeu um placebo com sabor e textura semelhantes.
Para avaliar os efeitos, os pesquisadores utilizaram ressonância magnética funcional (fMRI) e testes cognitivos antes e depois do período.
Principais resultados
- Aumento de até 24% no fluxo sanguíneo cerebral, especialmente no córtex pré-frontal e no giro angular — áreas ligadas à memória e à tomada de decisão.
- Melhora de 18% na memória episódica, responsável por lembrar acontecimentos recentes.
- Redução de inflamação e melhora na função dos vasos sanguíneos.
- Sem ganho de peso, já que o consumo foi ajustado dentro das calorias diárias.
O efeito positivo está ligado à combinação de nutrientes presentes no amendoim, como ácido oleico, resveratrol, vitamina E, magnésio, polifenóis e arginina — esta última ajuda a dilatar vasos sanguíneos e melhorar a circulação.
Os autores concluíram que o alimento pode ser uma estratégia simples e acessível para preservar a saúde cognitiva ao longo do envelhecimento.
IA prevê mais de 1.050 doenças com até 20 anos de antecedência
Em outro avanço impressionante, pesquisadores da Universidade de Copenhagen, em parceria com o Massachusetts General Hospital, desenvolveram um sistema de inteligência artificial capaz de antecipar o risco de mais de mil doenças diferentes.
Chamado provisoriamente de LifeRisk-20, o modelo foi treinado com dados de 6,2 milhões de dinamarqueses coletados ao longo de 34 anos. A IA avalia informações básicas, como exames de sangue, peso, pressão arterial, histórico familiar e hábitos de vida.
Níveis de acurácia que chamam atenção
- Câncer de pâncreas: previsão com 84% de precisão até 18 anos antes.
- Alzheimer: 82% de acurácia com até 20 anos de antecedência.
- Infarto: 79% com dez anos de antecedência.
- Depressão grave: 87% com doze anos de antecedência.
- Diabetes tipo 2: 94% com duas décadas de antecedência.
Um exemplo citado pelos pesquisadores mostra uma mulher de 45 anos que, após exames simples, recebeu uma estimativa de risco de 78% para desenvolver Alzheimer aos 68 anos. Com intervenções preventivas, esse número caiu para 28%.
O sistema já começou a ser testado em redes de saúde da Dinamarca, Reino Unido e alguns estados dos Estados Unidos.
