Em julho de 2023, um motorista de ônibus foi aclamado como herói após evitar o tombamento de um veículo sem freios na BR-376, em Guaratuba. Com 28 passageiros a bordo, ele conseguiu conduzir o ônibus até a área de escape, impedindo uma tragédia. As imagens impressionantes do momento rodaram o país, e o condutor foi exaltado pela coragem e habilidade ao volante.
No entanto, a história tomou um rumo inesperado. Pouco depois, a empresa Graciosa anunciou a demissão do motorista por justa causa, gerando indignação nas redes sociais. Por que um profissional que salvou vidas foi dispensado dessa forma? Agora, meses depois, um laudo pericial traz novas respostas – e uma perspectiva bem diferente sobre o caso.
Erro mecânico ou falha humana?
Na época, muitos acreditavam que o acidente havia sido causado por um problema nos freios do ônibus. No entanto, o laudo técnico revelou que a falha foi provocada pelo próprio condutor. Segundo a análise pericial, ele dirigia em velocidade inadequada para a serra e sobrecarregou os freios ao longo do trajeto, até que eles falharam por superaquecimento.
Os peritos constataram que:
● O sistema de freios apresentava sinais de fadiga térmica, indicando uso excessivo.
● O tacógrafo e a telemetria mostraram frenagens constantes, provando que os freios estavam funcionando antes do incidente.
● A empresa mantinha a manutenção em dia e oferecia treinamentos de direção defensiva.
Ou seja, a condução inadequada teria sido a verdadeira responsável pela situação crítica. Mas será que isso muda a forma como o motorista deve ser visto?
Entre o instinto e a imprudência
O caso levanta uma reflexão importante. Mesmo que a perícia tenha apontado erro humano antes da falha, o fato é que, no momento de crise, o motorista tomou a única decisão possível para evitar o pior. Isso diminui o peso de sua imprudência inicial? O motorista foi um salvador ou um responsável pelo risco que ele mesmo criou?
Uma lição sobre segurança e julgamento rápido
No calor da repercussão, a demissão do motorista parecia injusta, mas o laudo pericial revelou que a falha nos freios foi causada pelo uso inadequado do próprio condutor, e não por falta de manutenção. A Graciosa, que sempre priorizou a segurança, demonstrou que seus veículos são submetidos a revisões rigorosas e seus motoristas recebem treinamentos constantes. Com isso, a medida, antes questionada, se mostrou coerente e necessária para manter os altos padrões de segurança da empresa.
Veja o instante do acidente e detalhes do desfecho do caso:
