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Caminhoneiros Autônomos Paralisam Atividades no Litoral do Paraná

A partir desta terça-feira (1º), caminhoneiros autônomos do Litoral do Paraná iniciaram uma paralisação por tempo indeterminado. A decisão foi tomada pela Associação dos Caminhoneiros Autônomos do Litoral do Paraná (ACLP) após negociações frustradas com transportadoras e armadores que operam no Porto de Paranaguá.

O principal ponto de reivindicação é o reajuste de 12,47% nos valores dos fretes internos, percentual aprovado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e comunicado às empresas ainda em fevereiro. Segundo os trabalhadores, a negativa da maioria das transportadoras em aceitar o reajuste levou à deflagração da greve.

Outras Reivindicações e Impactos

Além da questão financeira, os caminhoneiros também buscam soluções para problemas enfrentados na rotina de trabalho, como bloqueios automáticos de motoristas e dificuldades no acesso aos terminais portuários. O presidente da ACLP, João Carlos Selmer Júnior, destacou que a mobilização se tornou necessária diante da falta de avanços nas negociações.

“Todo ano passamos por essa situação. Só conseguimos avançar quando precisamos parar. Além do reajuste, estamos reivindicando a redução das penalidades aplicadas aos motoristas, como os bloqueios automáticos após acidentes ou avarias, que os deixam dias ou até semanas sem poder trabalhar”, afirmou Selmer.

Reunião com a TCP e Sinalização de Ajustes

Na última segunda-feira (31), representantes da ACLP se reuniram com a empresa Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) e com o prefeito de Paranaguá, Adriano Ramos (Republicanos), para discutir os problemas enfrentados pelos caminhoneiros.

Durante o encontro, a TCP sinalizou que revisará o sistema de penalização, especialmente em relação aos bloqueios de motoristas após incidentes. A empresa também anunciou que irá colaborar na fiscalização do fluxo de caminhões no terminal e reduzir o valor da taxa de “no-show” — cobrada quando um motorista agenda um serviço e não comparece.

“Esses avanços são importantes, mas ainda insuficientes diante das necessidades da categoria. Continuamos aguardando um posicionamento das transportadoras em relação ao reajuste”, destacou Selmer.

Posicionamento da TCP

De acordo com a ACLP, a TCP assumiu o compromisso de reavaliar o sistema de penalizações, com foco nos bloqueios aplicados a motoristas em casos de incidentes. Além disso, a empresa se dispôs a colaborar na implementação de um sistema de fiscalização para otimizar o fluxo e o acesso dos caminhões ao terminal, bem como a reduzir a taxa de “no-show”, cobrada quando um motorista agenda um serviço e não comparece

Concorrência com Empresas de Fora

Outro ponto levantado pela ACLP é a presença crescente de empresas externas que estariam assumindo espaço no setor. Segundo a associação, grandes transportadoras que antes contratavam caminhoneiros locais passaram a operar com frota própria ou com profissionais de outras regiões, reduzindo as oportunidades para os trabalhadores autônomos do Litoral.

“Nós construímos esse trabalho aqui e agora vemos empresas de fora assumindo o serviço. Isso é injusto. Precisamos de uma política que valorize o trabalhador local”, reforçou Selmer.

Com a greve mantida, a categoria aguarda novos desdobramentos nas negociações para definir os próximos passos da mobilização.

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