O ano de 2025 entrou para a história do clima no Paraná, com extremos de calor, frio intenso, secas regionais, temporais violentos e quatro tornados confirmados pelo Simepar em diferentes cidades do Estado. Alguns municípios registraram as maiores temperaturas já medidas desde a instalação das estações, enquanto outros tiveram mínimas negativas e longas sequências de geada, além de volumes de chuva bem acima ou abaixo da média.
Segundo o Simepar, 23 estações fecharam 2025 com chuva acima da média anual, com destaque para Pinhão, Santa Helena e São Miguel do Iguaçu, que ficaram cerca de 400 milímetros acima do histórico. Outras 20 estações, incluindo Guaratuba, Paranaguá, Curitiba e Ponta Grossa, encerraram o ano com acumulados abaixo do esperado, cenário que ajudou a consolidar períodos de seca em várias regiões.
No Litoral e em áreas dos Campos Gerais e Norte do Estado, a chuva irregular fez a seca evoluir de fraca para moderada e, em pontos próximos à divisa com São Paulo, chegar ao nível considerado grave ao longo de 2025. A combinação de estiagem em alguns trechos e excesso de chuva em outros desenhou um ano bastante contrastante para agricultores e moradores de diferentes regiões paranaenses.
Fevereiro foi o mês mais quente da série histórica em 23 cidades, mas o verão 2024/2025 não superou em calor o verão anterior, 2023/2024. Já o outono teve chuva abaixo da média em quase todo o Paraná e registrou a temperatura mais alta do ano: 42,5°C em Capanema, no dia 27 de abril, recorde desde 2017 na estação local.
O inverno de 2025 quebrou a sequência de anos mais quentes e foi marcado por frio rigoroso, com 59 registros de temperaturas abaixo de zero em 26 cidades monitoradas. A menor marca do ano foi em General Carneiro, com -7,8°C em 25 de junho, enquanto o distrito de Horizonte, em Palmas, anotou -5,2°C como menor mínima entre as estações do Simepar.
Durante a estação fria, foram emitidos 28 alertas de geada, com ocorrência ampla em várias regiões do Estado, inclusive no Norte, Litoral e na Capital. General Carneiro chegou a registrar seis dias seguidos com geada em agosto, reforçando a característica de inverno prolongado e com massas de ar polar sucessivas no território paranaense.
Na primavera, conhecida como a estação das tempestades, o cenário foi ainda mais intenso, com 224 ocorrências registradas pela Defesa Civil em 2025, mais que o dobro das 102 do ano anterior. Vendavais passaram de 72 para 150 casos e as ocorrências de granizo saltaram de 11 para 53, mostrando o aumento na severidade dos temporais.
Logo no início da primavera, em 22 de setembro, o Simepar classificou um tornado de categoria F1 em Santa Maria do Oeste, em meio a uma sequência de frentes frias e temperaturas acima da média em boa parte do Estado. Em novembro, outro episódio extremo marcou o ano: três tornados no dia 7 causaram destruição em 11 municípios, em um dos eventos mais fortes dos últimos 30 anos no Paraná, segundo laudo técnico do Simepar.
Esse evento de 7 de novembro foi potencializado pela fase negativa da Oscilação Antártica e pela atuação do ramo frio de um ciclone extratropical sobre o Sul do Brasil, condição que favoreceu a formação de supercélulas com forte rotação. O resultado foi uma sucessão de tempestades severas, com granizo, ventos intensos e grande número de pessoas atingidas, especialmente em Rio Bonito do Iguaçu, uma das cidades mais devastadas.
Em dezembro, o Estado viveu um “dois em um”: enquanto cidades como Guaíra e Cambará registraram acumulados de chuva muito acima da média, outras, como Antonina, Guaratuba, Paranaguá e Ponta Grossa, fecharam o mês com volumes bem abaixo do esperado. Em Guaíra, por exemplo, choveu 517,2 milímetros no mês, três vezes mais que a média histórica de 175,1 milímetros, maior valor desde dezembro de 2020.
As diferenças na chuva refletiram diretamente nas temperaturas de dezembro, com médias pouco mais de 1°C acima do normal em áreas dos Campos Gerais, Região Metropolitana de Curitiba e Litoral, onde choveu menos. Nas demais regiões, onde a chuva foi mais volumosa, as médias ficaram dentro dos padrões históricos para o período, suavizando um pouco a sensação de calor.
Mesmo assim, as máximas chamaram atenção: no Litoral, ficaram 2,3°C acima da média em dezembro, enquanto na Grande Curitiba variaram entre 1,5°C e 3,1°C acima do usual. Telêmaco Borba chegou a 38°C em 26 de dezembro, recorde desde a instalação da estação meteorológica em 1997, reforçando o peso das ondas de calor no fim do ano.
Entre os destaques de temperatura máxima de 2025, além de Capanema com 42,5°C, aparecem cidades como Guaraqueçaba, que chegou a 40,4°C em 26 de dezembro, e Loanda, com 39,5°C em 5 de outubro. No Litoral, Paranaguá bateu 37,2°C em janeiro e Guaratuba alcançou 36,3°C ainda no verão, mostrando a força do calor também na faixa costeira.
Do lado oposto, o frio extremo se espalhou por praticamente todas as regiões, com mínimas negativas em Cascavel, Francisco Beltrão, Palmas, Jaguariaíva, Guarapuava e outras cidades. Em Curitiba, a temperatura chegou a -0,3°C no dia 25 de junho, e Pinhais marcou -1,5°C, valores considerados baixos para a Região Metropolitana.
Nos acumulados de chuva ao longo de 2025, Pinhão somou 2.177,6 milímetros, bem acima da média de 1.774,7 milímetros, enquanto Santa Helena registrou 2.059,6 milímetros diante de um histórico de 1.616 milímetros. Já Ponta Grossa fechou o ano com 992,6 milímetros de chuva, bem abaixo da média de 1.415,1 milímetros, e Guaraqueçaba acumulou 2.078,4 milímetros, contra 2.548,7 milímetros de histórico.
O meteorologista do Simepar, Reinaldo Kneib, explica que o inverno foi marcado por sucessivas incursões de massas de ar polar, responsáveis por geadas amplas e frio intenso em praticamente todo o Estado. Ele lembra ainda que, no fim de 2025, um bloqueio atmosférico no Oceano Pacífico Sul favoreceu a permanência de uma massa de ar quente sobre o Paraná, impulsionando o forte calor registrado entre 22 e 28 de dezembro.
As imagens que ilustram o balanço de eventos extremos de 2025 mostram os registros de campo e o trabalho das equipes do Simepar durante monitoramentos e vistorias nas áreas atingidas.
Fotos: Ana Tigrinho/AEN.
