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Ajuda chega a Gaza após risco de morte para 14 mil bebês

Após mais de dois meses de bloqueio total, cerca de 100 caminhões carregados com ajuda humanitária conseguiram entrar na Faixa de Gaza nesta terça-feira (20). A liberação aconteceu no mesmo dia em que a União Europeia e o Reino Unido intensificaram a pressão internacional sobre Israel, exigindo o acesso imediato de suprimentos à população palestina.

A situação no território é considerada catastrófica. Segundo alertas recentes da Organização das Nações Unidas, cerca de 14 mil bebês corriam risco de morte por fome e desidratação em apenas 48 horas, caso a ajuda não fosse liberada. Com os estoques de comida, água e medicamentos praticamente zerados, a entrada dos caminhões representa um alívio emergencial — mas ainda longe de resolver a crise humanitária.

A justificativa de Israel para o bloqueio tem sido a tentativa de pressionar o grupo Hamas, que mantém reféns israelenses desde os ataques de 7 de outubro de 2023, quando mais de 1.400 pessoas foram mortas em território israelense. Desde então, o cerco a Gaza se intensificou, e a guerra já ultrapassa os 600 dias, deixando mais de 50 mil mortos, segundo relatos de autoridades palestinas.

Em entrevista ao podcast O Assunto, da jornalista Natuza Nery, a palestina Assmaa Abo Eldijian — que vive em Gaza desde 2006 — descreveu a realidade atual como desesperadora.

Estão atacando a gente com fome, com sede”, relatou Assmaa, que vive com os filhos no distrito de Al-Rimal, um dos mais afetados pelos bombardeios.

Também no episódio, o historiador João Koatz Miragaya, que vive em Israel, explicou que o bloqueio à ajuda foi uma das primeiras reações do governo israelense ao ataque do Hamas. No entanto, ele destacou que a opinião pública em Israel começa a mudar, principalmente após a última troca de reféns em fevereiro. Parte da população já questiona a eficácia da estratégia e os impactos humanitários da guerra.

Enquanto isso, negociações por um cessar-fogo estão sendo retomadas no Catar, mas sem avanço concreto até o momento. A expectativa é que os próximos dias sejam decisivos para o futuro do conflito.

Além da liberação de ajuda, o Reino Unido suspendeu acordos comerciais com Israel e convocou sua embaixadora no país, como forma de pressionar por um alívio na crise humanitária.

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