Depois de anos de promessas e uma obra abandonada pela metade, a tão falada Avenida Atílio Fontana, em Paranaguá, pode finalmente ganhar um novo rumo. A Prefeitura, empresários do setor portuário e o Governo do Estado se reuniram para apresentar uma nova proposta de revitalização e ampliação da via, considerada essencial para o funcionamento do Porto e da economia da cidade.
A grande novidade é que agora o projeto está sendo construído em parceria com a iniciativa privada. Cerca de 28 empresários se uniram para colaborar com a obra, que tem custo estimado em R$ 100 milhões. Eles se comprometeram a doar o projeto técnico completo — uma espécie de planta detalhada de como tudo será feito — avaliado em R$ 1 milhão.
Entenda por que essa avenida é tão importante
A Avenida Atílio Fontana liga diretamente a região dos armazéns e empresas ao Porto de Paranaguá e à BR-277, rodovia por onde chegam e saem caminhões carregados de mercadorias. Atualmente, mais de 80% dos contêineres que passam pelo Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) dependem dessa rota.
Só que, nos últimos anos, a avenida se transformou em um verdadeiro ponto de engarrafamento de caminhões, com trânsito travado, falta de estrutura e risco de acidentes e alagamentos. A situação ficou ainda pior quando a obra iniciada em 2023 foi interrompida sem conclusão, deixando um rastro de buracos, promessas não cumpridas e frustração.
A nova proposta apresentada pelos empresários vai muito além de apenas terminar o que já começou. O plano prevê:
- Refazer 2,1 km da avenida que já foram iniciados, mas com qualidade garantida;
- Construir mais 7 km de pista pavimentada;
- Criar uma nova via de apoio, chamada Estrada do Ribeirão, para dividir o tráfego de caminhões e melhorar o fluxo;
- Levantar uma ponte robusta, capaz de aguentar veículos com até 45 toneladas;
- Interligar tudo isso de forma funcional com a BR-277.
Segundo o prefeito Adriano Ramos, essa nova abordagem mostra que quando o setor público e o setor privado trabalham juntos, as coisas acontecem. “Estamos focados no que realmente importa para a cidade. Com essa união, temos a chance de fazer a Atílio Fontana do jeito certo”, declarou.
Estado garante apoio
O secretário estadual de Infraestrutura, Sandro Alex, participou da reunião e garantiu o envolvimento do Governo do Estado. A frase que marcou o encontro foi:
“Toca o projeto, que o projeto vai sair!”
Ele destacou que, mesmo sendo uma via municipal, o Governo entende que se trata de uma obra estratégica, e por isso vai entrar com recursos e apoio técnico. O deputado Hussein Bakri, líder do governo na Assembleia Legislativa, também se comprometeu a ajudar na articulação para que o projeto ande rápido.
O projeto executivo (a planta completa da obra) será entregue até 30 de outubro.
Com isso, a Prefeitura espera conseguir o aval definitivo do Governo do Estado e lançar a licitação (processo para escolher a empresa que vai executar a obra) em janeiro de 2026.
A previsão é que as obras comecem em fevereiro de 2026 e durem cerca de dois anos.
Para evitar que o trânsito fique ainda pior durante a obra, a execução será feita em etapas e começará pela nova via paralela (Estrada do Ribeirão), para garantir que os caminhões continuem circulando enquanto a avenida principal é reformada.
E o problema dos caminhões parados?
Além da obra, a Prefeitura também está montando um conselho com empresários e motoristas para resolver outro problema sério: a falta de pátios para os caminhões ficarem enquanto esperam para descarregar no Porto.
Sem um espaço adequado, muitos caminhões acabam parando na rua — inclusive na Atílio Fontana — o que atrapalha ainda mais o trânsito. A ideia é construir um grande espaço de espera, o chamado “pulmão logístico”, para organizar essa fila de forma segura e sem bagunça.
Essa mobilização representa mais do que uma simples obra: é um exemplo de mudança de postura, onde o poder público deixa de lado a burocracia e se aproxima de quem está na linha de frente do desenvolvimento da cidade. Com apoio dos empresários e do Governo do Estado, a expectativa é que, dessa vez, a Atílio Fontana não fique só no papel.
