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Aplicativo de R$ 271 mil em Morretes não apresenta resultados à população

A escuridão das ruas de Morretes parece pequena diante da falta de transparência da prefeitura. Uma apuração do Clic Litoral revela que o custo com o sistema de iluminação pública é muito maior do que o divulgado oficialmente. Documentos obtidos no Portal da Transparência mostram que a administração pagou mais de um quarto de milhão de reais por um aplicativo que ficou meses parado e até hoje não apresentou resultados claros.

O QUE É O ILUMINA MORRETES?

O aplicativo Ilumina Morretes foi criado para ser um canal direto entre o cidadão e a Secretaria de Obras e Infraestrutura. A proposta era permitir que os moradores registrassem problemas na iluminação pública e acompanhassem a resolução. O sistema faz parte do SIGIP, desenvolvido pela empresa Exati Tecnologia.

Na teoria, parecia uma ideia moderna. Na prática, o aplicativo passou despercebido. Em uma cidade com mais de 18 mil habitantes, teve pouco mais de 100 downloads, número que mostra o desinteresse do público ou a total falta de divulgação do projeto.

O Clic Litoral perguntou sobre o desempenho: quantos chamados foram abertos pelo aplicativo? A prefeitura não forneceu a informação.

O DISCURSO OFICIAL É DE ECONOMIA. OS NÚMEROS DIZEM OUTRA COISA

Em nota, a prefeitura afirmou que o custo mensal do contrato seria de apenas R$ 6 mil e que o sistema garantiria eficiência e economia. Segundo a administração, o uso definitivo começou no primeiro trimestre de 2024.

Confira a nota na íntegra:

Mas a versão oficial para por aí. Nos documentos, a história é bem diferente.

DOCUMENTOS REVELAM UM CONTRATO MUITO MAIOR DO QUE O DIVULGADO

Documentos revelam que o valor de R$ 6 mil por mês corresponde apenas à locação do software. Outros R$ 199.456,22 foram destinados a serviços extras, como o mapeamento e a identificação dos postes.

A apuração do Clic Litoral revela um escândalo de desperdício em Morretes: o aplicativo “Ilumina Morretes”, vendido como sinônimo de eficiência, transformou-se em um projeto-fantasma caríssimo. Enquanto a prefeitura divulgava um custo mensal de R$ 6 mil, documentos expõem um gasto real que ultrapassa R$ 271 mil, 276% a mais do que o informado.

QUASE UM ANO DE PAGAMENTO POR UM SISTEMA QUE NINGUÉM USOU

O contrato começou a vigorar em 28 de abril de 2023, mas a prefeitura afirma que o uso “definitivo” só ocorreu no primeiro trimestre de 2024. Isso significa que o município pagou quase um ano inteiro por um serviço que não estava disponível à população.

Para piorar, o aplicativo só foi divulgado nas redes sociais da prefeitura em 2025, dois anos após a assinatura do contrato. Durante todo esse período, não há registros de quantos chamados foram abertos pelos moradores. Um investimento caro, mas com retorno quase zero — ou, como se diz: “muito barulho por nada

A PROMETIDA ECONOMIA NUNCA EXISTIU

A prefeitura também não apresentou nenhum dado que comprove a prometida economia na conta de energia. O valor usado para justificar o gasto, R$ 72 mil anuais, não cobre nem o valor divulgado oficialmente e muito menos o custo real do contrato, de R$ 271.456,22. A promessa de economia, portanto, parece tão real quanto a utilidade do aplicativo.

Enquanto isso, a população continua sem um canal funcional de comunicação para denunciar problemas na iluminação pública. Hoje, quem toma a frente são os vereadores: os moradores recorrem a eles, e são os parlamentares que fazem as indicações para que os problemas sejam finalmente resolvidos.

O Clic Litoral seguirá acompanhando o caso e cobrando esclarecimentos. Dinheiro público não é bobagem para sustentar projetos-fantasma — e a população merece luz de verdade, tanto nos postes quanto nas contas da prefeitura.

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