As buscas por Roberto Farias Tomaz, desaparecido no Pico Paraná, entram em mais um dia sem respostas. O jovem sumiu após se separar de Thayane Smith durante a descida da montanha, na manhã de 1º de janeiro. Desde então, nenhum vestígio foi encontrado, nem mesmo com o uso de drones com câmeras térmicas.
O caso, que já era grave pelas dificuldades do terreno, ganhou ainda mais repercussão após postagens e declarações públicas feitas por Thayane nas redes sociais e em entrevistas. As falas provocaram revolta entre internautas e levantaram um debate sobre responsabilidade, preparo físico e conduta em trilhas de alto risco.
A trilha, a separação e a versão apresentada pela amiga
Roberto subiu o Pico Paraná acompanhado de Thayane Smith para passar o Réveillon e assistir ao nascer do sol no cume da montanha, a 1.877 metros de altitude. Durante o percurso, segundo relatos divulgados à imprensa, ele teria passado mal e apresentado lentidão.
Após o amanhecer, os dois iniciaram a descida. Testemunhas relataram à polícia e à imprensa que, durante o trajeto, houve uma discussão entre Roberto e Thayane pouco antes da separação.
Segundo a versão apresentada por Thayane em entrevistas, Roberto estava “muito devagar” durante a descida. Ela afirmou que, naquele momento, decidiu seguir em um ritmo mais rápido após encontrar trilheiros que corriam pela trilha.
“Ele estava muito devagar, e eu desci no meu ritmo”, disse Thayane, acrescentando que correr em trilhas faz parte do seu “estilo de vida”.
Ainda de acordo com ela, a decisão de seguir sem Roberto foi tomada porque acreditava que a situação não oferecia risco imediato. “Tinham mais três pessoas descendo atrás”, afirmou, dizendo que contava que esses trilheiros encontrariam Roberto no caminho.
Thayane também declarou que seguiu até o ponto de acampamento acreditando que Roberto conseguiria concluir a descida sozinho ou com o auxílio de outras pessoas que estariam na trilha. Desde então, o jovem não foi mais visto.

Postagens que causaram revolta
Pouco depois do desaparecimento, Thayane publicou mensagens nas redes sociais que causaram forte reação negativa. Em um dos stories, escreveu que o episódio havia sido um aprendizado e que nunca mais andaria com alguém que não fosse experiente em trilhas, não tivesse o mesmo estilo de vida e não tivesse pique.
Em outra publicação, o tom foi ainda mais agressivo. Thayane afirmou que só aceitaria julgamentos de pessoas magras e que pessoas gordas, sedentárias, preguiçosas e medrosas deveriam se calar.
As postagens foram feitas enquanto Roberto ainda estava desaparecido, o que ampliou a indignação nas redes sociais.
Declarações em entrevistas
Em entrevistas concedidas nos dias seguintes, Thayane afirmou que, caso Roberto fosse encontrado, “provavelmente estaria bem fraco”. Em outro momento, ao comentar a possibilidade de algo mais grave ter acontecido, disse que, se isso tivesse ocorrido, “Deus permitiu”.
As falas, somadas às publicações feitas nas redes sociais, passaram a ser amplamente questionadas por internautas e especialistas em montanhismo.
A Polícia Civil do Paraná informou que o caso é tratado como desaparecimento em área de mata e que todas as versões estão sendo analisadas. Até o momento, não há indícios de crime.
Por que as buscas são tão difíceis
O Pico Paraná possui diversas trilhas secundárias, bifurcações e áreas de mata fechada. Especialistas alertam que uma pessoa sozinha, especialmente em condições de exaustão física, pode se perder com facilidade.
As equipes de resgate já utilizaram drones com câmeras térmicas, buscas terrestres em áreas íngremes e apoio aéreo. Até agora, nenhum sinal de Roberto foi localizado.
Com o passar dos dias, o cenário se torna cada vez mais preocupante. Cada hora reduz as chances de sobrevivência, principalmente por causa do frio noturno, da falta de água, da desorientação e do risco de quedas ou ferimentos.
Alerta contra informações falsas
A família reforça que todas as informações oficiais sobre o caso são divulgadas exclusivamente pelo perfil @resgaterobertopicoparana. Eles alertam que não estão pedindo PIX, dinheiro ou mantimentos e que qualquer página que faça esse tipo de solicitação é falsa.
Um caso que expõe riscos e responsabilidades
O desaparecimento de Roberto Farias Tomaz escancara os riscos reais do Pico Paraná e reforça uma regra básica do montanhismo: ninguém deve ser deixado para trás.
Diferença de ritmo, mal estar e exaustão exigem que o grupo se adapte ao integrante mais lento, e não o contrário. Enquanto as buscas seguem, o caso levanta um debate urgente sobre preparo físico, tomada de decisões em situações extremas e empatia em ambientes de alto risco.
