A Prefeitura de Paranaguá fez uma audiência pública para explicar como está hoje o transporte coletivo da cidade e o que deve mudar nos próximos anos. A principal promessa é manter a tarifa zero, mas com ônibus muito melhores e regras mais duras para a empresa que cuidar do serviço.
A reunião aconteceu na noite de quarta-feira (17), no auditório do Isulpar, com presença de servidores, representantes da Prefeitura e moradores que usam os ônibus todos os dias. As equipes técnicas mostraram dados sobre a frota atual, falaram do problema na licitação e apresentaram o novo modelo que a Prefeitura quer implantar no município.
Segundo a secretária Isabele Gonçalves Figueira Campos, as fiscalizações feitas em 2025 mostraram que muitos ônibus estão velhos, quebrados e não oferecem segurança e conforto para a população. Hoje, a Viação Rocio tem 52 ônibus, sendo 49 em uso, mas parte deles já é considerada muito antiga e até já foi descartada em outras cidades.
Ela lembrou que o transporte em Paranaguá é de Tarifa Zero desde 2022, ou seja, o passageiro não paga passagem, e todo o custo é bancado com dinheiro público. Por isso, a cobrança por qualidade é ainda maior, já que a população paga o serviço por meio dos impostos e espera um atendimento digno.
A Prefeitura também explicou o impasse na Justiça: uma licitação aberta em 2023 foi questionada pela própria empresa, acabou suspensa pelo Tribunal de Contas e depois foi interrompida de vez, enquanto uma decisão judicial mantém a atual concessionária até que um novo contrato seja feito. Com isso, o Município decidiu criar um modelo novo de concessão, considerado “inegociável”, ou seja, a empresa que quiser operar terá que aceitar todas as regras.
O plano prevê ônibus novos, com ar-condicionado, Wi-Fi, carregador de celular, câmeras de segurança e acessibilidade para todos os passageiros. A ideia é começar trocando 20 veículos no primeiro semestre de 2026, dando prioridade aos mais velhos, e depois seguir renovando o restante da frota.
Se a empresa que ganhar a concessão não cumprir o combinado, o contrato poderá ser rompido, e a Prefeitura pode até fazer uma contratação emergencial para não deixar a cidade sem ônibus. Também estão previstas melhorias nos terminais, fiscalização mais rígida, multas em caso de falhas e canais para que os usuários possam reclamar e avaliar o serviço.
Detalhes sobre horários, linhas e trajetos ainda serão estudados, mas a Prefeitura afirma que a urgência é tirar de circulação os ônibus mais problemáticos, sem acabar com a gratuidade para quem precisa do transporte todo dia. O assunto seguirá em debate, enquanto o Município ajusta o edital da nova licitação para tentar garantir um transporte mais moderno e seguro para a população.
