Monitoramento revela crescimento de botos-cinzas em meio ao vaivém portuário no Litoral do Paraná
Imagine uma baía agitada por navios gigantes, mas onde o verdadeiro show vem de saltos ágeis na água. Na Baía de Paranaguá, no coração do Litoral paranaense, isso é rotina. Cercada por morros verdes da Serra do Mar e florestas densas, a região equilibra o ritmo acelerado do comércio com a dança graciosa dos golfinhos.
Tudo começou há mais de uma década, quando o Terminal de Contêineres de Paranaguá decidiu olhar além das cargas. Em 2012, surgiu o Programa de Monitoramento de Cetáceos, focado em acompanhar esses animais inteligentes. De 2016 até agora, os barcos de pesquisa já contaram mais de 46 mil encontros com os botos-cinzas, a espécie que reina por ali.
Esses visitantes constantes não aparecem por acaso. Sem inimigos na cadeia alimentar, os golfinhos funcionam como alertas vivos da saúde das águas. Qualquer mudança no ambiente – barulho de motores ou poluição sutil – eles sentem na hora. Por isso, o programa registra padrões de nado e rotas, ajudando a medir o impacto do tráfego marítimo, que movimentou mais de 60 milhões de toneladas de mercadorias só em 2024.
O crescimento anima quem acompanha de perto. “Há 13 anos mantemos essa atividade porque entendemos que, além de atender a uma exigência ambiental, ela é essencial para garantir a convivência harmoniosa entre a atividade portuária e o meio ambiente. Também se tornou uma oportunidade valiosa de produzir conhecimento científico sobre a biodiversidade da Baía de Paranaguá”, explica Kayo Zaiats, gerente de Meio Ambiente da TCP.
Não são só cientistas que se encantam. Turistas de cruzeiros, como os que chegam no MSC Armonia, lotam passeios curtos de barco pela baía. Em rotas de duas horas, passando pela Ilha das Cobras e Ilha da Cotinga, o avistamento vira o ponto alto. Um visitante português, vindo de Algarve, não escondeu a emoção: “É um passeio muito bonito, com uma natureza exuberante e paisagem agradável. Me encantei com os tais golfinhos. Já estamos indo embora, mas se eu tivesse mais alguns dias, eu iria visitar as praias do Paraná”.
Outra passageira, de Brusque em Santa Catarina, desceu do navio só para isso. “Desci em Paranaguá especialmente para fazer esse passeio”, contou. Até quem é de Teodoro Sampaio, no interior paulista, aprovou: “Passeio encantador e diferenciado, até para ver o porto por outra perspectiva. É o primeiro passeio na minha vida que tenho a oportunidade de ver golfinhos dessa forma, tão próximos da gente”.
O segredo da Baía dos Golfinhos, entre a Ilha do Mel e a Ilha das Peças, atrai famílias inteiras. Ali, os botos-cinzas, com até dois metros de comprimento e pulos de até cinco metros, formam grupos animados. Espécie classificada como “quase ameaçada” no mundo, “vulnerável” no Brasil e “em perigo” no Paraná, eles mostram que o equilíbrio é possível.
Enquanto os navios seguem seu curso, os programas de monitoramento continuam firmes, com dados enviados para órgãos ambientais e estudos contínuos. A mensagem é clara: preservar essa joia natural garante que os saltos dos golfinhos ecoem por gerações na Baía de Paranaguá.
