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Gestão passada de Paranaguá pagou R$ 9,1 milhões a empresa investigada; contrato é suspenso

Na manhã desta terça-feira, 21 de outubro de 2025, o prefeito de Paranaguá, Adriano Ramos, convocou toda a imprensa para esclarecer a suspensão de um contrato firmado pela gestão anterior com a empresa AGP Saúde Ltda. O valor total repassado entre 2022 e 2024 foi de R$ 9,1 milhões, montante que chama atenção não apenas pelo montante envolvido, mas também pelo impacto direto que poderia ter tido na saúde da população, caso os recursos tivessem sido aplicados corretamente.

Paranaguá se soma a um grupo de outras prefeituras investigadas em todo o Paraná e em outros estados por contratos semelhantes com a mesma empresa. Entre os casos, destaca-se o de Fazenda Rio Grande, onde o prefeito Marco Antônio Marcondes Silva (PSD) foi preso na Operação Fake Care, deflagrada em 9 de outubro de 2025. A operação investiga suspeitas de irregularidades em contratos da área da saúde, incluindo o direcionamento de recursos para a AGP Saúde. As investigações apontam que o grupo teria desviado recursos públicos com a participação de servidores do alto escalão, mediante pagamento de propina.

O contrato que gerou revolta

Documentos oficiais apontam que, entre 2022 e 2024, a Prefeitura pagou cerca de R$ 9.197.834 à AGP Saúde. Desse total, R$ 5.3 milhões foram liberados nos últimos cinco meses da gestão passada. Apenas no último dia útil de 2024, foram transferidos R$ 1,5 milhão à empresa, mesmo com indícios de irregularidades. Durante esse período, foram contabilizados 91,4 mil testes, sendo 78,2 mil somente em 2024, embora não haja registros claros de que todos os procedimentos tenham sido efetivamente realizados.

Além das falhas na documentação e nos comprovantes de serviço, foram apontadas outras irregularidades graves. Exames que deveriam ser gratuitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) foram cobrados ou contabilizados indevidamente, inclusive em nome de pessoas já falecidas. Alguns testes foram registrados como realizados em bares e supermercados, sem qualquer autorização, enquanto a empresa não possuía sede fixa nem funcionários cadastrados no município. O contrato passou por cinco renovações sem documentação formal ou definição de valores, com reajustes que chegaram a até 1.677% em relação ao contrato original.

Dinheiro que poderia ter sido investido

De acordo com o secretário municipal de Saúde, Daniel Fangueiro, os recursos aplicados nesse contrato poderiam ter sido destinados a ações que beneficiariam diretamente a população.

Segundo Fangueiro, com os valores pagos seria possível custear aproximadamente 6.120 plantões médicos de 12 horas, 55 mil consultas pediátricas, 43 mil atendimentos de saúde mental e 59 mil consultas de ginecologia e saúde da mulher.

“São valores que poderiam ter sido aplicados para salvar vidas e fortalecer a rede de saúde da cidade. Infelizmente, parte deles foi mal utilizada e hoje precisamos recuperar o controle sobre esses recursos”, afirmou o secretário.

Investigação e alcance estadual

O caso de Paranaguá integra uma investigação mais ampla do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) e do Ministério Público Estadual, que fiscalizam contratos da empresa em outros municípios. As apurações têm mostrado padrões semelhantes de renovações irregulares e pagamentos expressivos, demonstrando que o problema não se limita a uma única cidade. A prisão do prefeito de Fazenda Rio Grande evidencia que esquemas desse tipo podem resultar em responsabilização criminal de autoridades envolvidas.

Próximos passos

A suspensão do contrato representa um passo importante para resgatar a confiança da população na gestão da saúde. Agora, a Prefeitura de Paranaguá segue com auditorias detalhadas em outros contratos da saúde, buscando evitar que irregularidades semelhantes ocorram novamente.

As investigações do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) e do Ministério Público Estadual continuam em andamento, com o objetivo de identificar os responsáveis pelas falhas e irregularidades nos contratos anteriores. A expectativa é que medidas corretivas e punições administrativas ou criminais sejam aplicadas, garantindo que os recursos públicos sejam utilizados de forma adequada e em benefício direto da população.

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