A ferrovia que liga Curitiba ao Porto de Paranaguá é uma das maiores obras de engenharia do século XIX no Brasil — e muito mais do que um caminho para trens, é uma aula de história, natureza e curiosidades.
Do “ouro verde” ao trem
No século XIX, a principal riqueza do Paraná era a erva-mate, o famoso “ouro verde”. Antes da ferrovia, ela só podia ser transportada pelos lombos das mulas ou em carroças pela Estrada da Graciosa, um caminho indígena ampliado pelos engenheiros brasileiros. A ferrovia mudou isso: podia carregar até 6 toneladas por dia, revolucionando o comércio da época. Hoje, os vagões chegam a 100 toneladas!
Engenharia de tirar o fôlego
A construção da ferrovia durou apenas 5 anos (1880-1885) e foi feita pelos Irmãos, os primeiros engenheiros negros do Brasil. Entre túneis, mais de 41 pontes e viadutos, a obra atravessa a Serra do Mar Paranaense, demonstrando um feito técnico impressionante para a época.
Curiosidade: o projeto original previa chegar até Miranda, no Mato Grosso do Sul, conectando hidrovias do Paraguai, mas a Guerra do Paraguai limitou o trajeto a Curitiba.
Presente para a história: Em 1884, o fotógrafo Marc Ferrez registrou a construção da Estrada de Ferro Curitiba–Paranaguá e produziu um álbum que foi entregue ao imperador Dom Pedro II



Um passeio turístico e educativo
Hoje, a ferrovia transporta carga, principalmente soja, mas também recebe turistas pela Serra Verde Express, permitindo que todos apreciem a fauna, a flora e paisagens de tirar o fôlego da Mata Atlântica preservada.
A viagem inaugural, em 1884, teve a presença da Princesa Isabel, e a Estação Ferroviária de Curitiba abriga o Museu Ferroviário, lembrando que essa ferrovia é uma joia histórica que todo paranaense deveria conhecer.
Explorar a ferrovia Curitiba–Paranaguá vai muito além de uma viagem de trem: é uma imersão na história, na engenharia e na natureza do Paraná. Com trilhas, pontes, túneis e paisagens , cada passeio é uma oportunidade de aprender, se encantar e se conectar com a Serra do Mar.


