Quantas vezes você já se pegou pensando que gostaria de ajudar alguém, mas acreditou que não tinha tempo ou condições? Para o voluntário Marcelo Brasilio, de Paranaguá, a resposta é simples: basta começar. Foi assim que ele decidiu dedicar parte da vida ao voluntariado, descobrindo que um gesto de carinho pode ter muito mais valor do que qualquer bem material.
Hoje, Marcelo atua ao lado de cerca de 70 voluntários, organizando ações de acolhimento na cidade. Eles preparam marmitas, distribuem roupas, visitam idosos, acompanham crianças do Lar Meninos e Meninas, crianças surdas, autistas e apoiam projetos da APAE. “Trabalhamos juntos, dividindo tarefas, sempre com foco no acolhimento”, explica.

O desafio de não conseguir atender a todos
Apesar da dedicação, o voluntariado traz desafios profundos. Marcelo lembra que, muitas vezes, a falta de recursos impede que o grupo atenda a todos. “O maior desafio é lidar com a realidade dura de quem sofre diariamente e não conseguir atender a todos, devido o recurso financeiro que dependemos dos voluntários a cada ação. Muitas vezes gostaríamos de fazer mais do que é possível.” disse.
Marcelo compartilha experiências que marcaram sua trajetória. Ele recorda visitas às crianças da APAE e do Lar Meninos e Meninas: “Ali aprendemos a importância de estar juntos, de ver o quanto eles ficam felizes com a nossa presença e o quanto aqueles momentos de diversão marcam de alguma forma na vida deles, especialmente no contato com crianças autistas. O carinho e a pureza delas nos emocionam profundamente e mostram que cada gesto de amor realmente transforma.”
Um convite à ação
Marcelo acredita que qualquer pessoa pode começar a fazer diferença. “Eu diria que não espere o momento, comece com o que você tem: amigos e redes sociais. Não é preciso muito para fazer diferença: um sorriso, um abraço, um pouco do seu tempo já podem mudar o dia de alguém.”


Para ele, dedicar tempo ao próximo é um ato de humanidade. “O tempo é o bem mais precioso que temos, não sabemos o dia de amanhã! Quando dedicamos parte dele a alguém, mostramos que essa pessoa é importante e merece cuidado. Ver uma pessoa sorrindo, emocionada, feliz com você ali perto é uma das melhores sensações desse mundo.”
Precariedade financeira e saúde mental
O voluntariado também nos lembra de algo que muitas vezes esquecemos: a dura realidade da desigualdade que está bem aqui em Paranaguá. Muitas famílias vivem com recursos limitados, jornadas de trabalho longas e crianças sozinhas em casa. Essa realidade impacta diretamente a saúde mental, provocando ansiedade, depressão e sentimentos de abandono.
Muitos não têm tempo ou recursos para cuidar da própria saúde mental, porque a prioridade é a sobrevivência — garantir comida, educação e segurança para os filhos.
É nesse contexto que o voluntariado ganha ainda mais importância. Um abraço, uma visita, um sorriso ou uma refeição quente podem ser a diferença entre isolamento e acolhimento.
Como ajudar
Quem quiser se juntar a esse movimento pode participar de várias formas: dedicando algumas horas do tempo, oferecendo habilidades como cozinha, pintura ou fotografia, ou doando roupas e alimentos.
“Sempre há espaço para quem deseja contribuir, toda ajuda é sempre bem-vinda. O mais importante é estar disposto a levar amor, empatia e acolhimento para quem mais precisa”, reforçou Marcelo.
Interessados podem acompanhar o trabalho pelo Instagram @aeapgua ou entrar em contato pelo telefone (41) 9889-6361.
No fim, o voluntariado não transforma apenas quem recebe ajuda. Ele transforma quem ajuda e nos lembra que olhar para o outro como ser humano é o primeiro passo para construir uma sociedade mais justa, acolhedora e saudável — aqui mesmo, na nossa cidade.
Fotos: @vic.hornung

