Enquanto quem deveria garantir a segurança em Guaratuba vive um completo abandono, a população segue exposta a riscos que poderiam ser evitados. A Guarda Municipal da cidade enfrenta uma situação caótica, com falta de estrutura, equipamentos básicos, e nenhuma prioridade por parte da gestão municipal — um verdadeiro descaso que compromete a proteção da comunidade.
Essa denúncia não vem de qualquer pessoa, mas de Marcelo Peruchi, Guarda Municipal Policial 1ª Classe e vice-presidente da Associação Nacional dos Guardas Civis Municipais Classistas do Brasil (ANGCMCB). Com 33 anos de carreira na Guarda Municipal de Curitiba, Peruchi acompanhou de perto a fundação da Guarda Municipal de Guaratuba, sendo autor da lei que a criou em 2006. Hoje, ele faz um alerta claro: a atual situação da segurança pública municipal está ameaçada por completo abandono institucional.
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O básico sequer foi garantido — munição e equipamentos continuam em falta
É inadmissível que armas doadas à Guarda Municipal permaneçam inutilizadas por falta de munição. A Prefeitura de Guaratuba não investiu sequer o mínimo necessário para garantir que os guardas possam usar o armamento recebido.
“Foi feita uma doação de armamento da Guarda Municipal de Campo Largo para a Guarda Municipal de Guaratuba, mas as armas estão lá há sete meses e até agora não foi comprada a munição. R$ 12 mil seria o suficiente pra equipar a Guarda Municipal de Guaratuba com munição, mas até agora nada. O que é 12 mil reais para prefeitura?”
Além da munição, as armas e pistolas estão largadas, sem controle e sem saber onde estão guardadas:
“Compraram munições doadas pela Guarda Civil de Campo Largo, essas pistolas e calibre 12 tão largadas qualquer lugar aí, que ninguém sabe que onde está, como estão.”
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Uniformes e viaturas: meses sem condições mínimas para trabalhar
Durante meses, os guardas ficaram sem uniforme adequado e sem roupas para enfrentar o frio rigoroso dos últimos meses. A Prefeitura só entregou os uniformes há 30 dias — um atraso que coloca em risco os próprios servidores públicos.
“Na formatura dos Guardas Municipais de Guaratuba foi sem uniforme de guarda, foi com roupa à paisana, roupa eles não têm, equipamento civil nenhum. Agora que chegaram os uniformes, e a viatura é branca, sem camburão, foi doada três viaturas pelo delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, só chegou uma na Guarda e ainda está branca.”
Viaturas incompletas, sem camburão e sem identificação adequada dificultam o trabalho e aumentam o risco para quem deveria proteger a população.
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Sem coletes balísticos: quem protege está desprotegido
O colete balístico, equipamento fundamental para a segurança dos agentes, simplesmente não existe para a Guarda Municipal de Guaratuba. Mesmo com previsão e doação, a Prefeitura não cumpriu a obrigação de adquirir os coletes em sete meses de gestão.
“Não tem como fazer segurança pública sem colete balístico. Já foi doado, já era previsto na gestão anterior, e mesmo assim, em sete meses, não compraram.”
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Profissionais desmotivados e em fuga
A falta de estrutura e de perspectiva tem causado um verdadeiro êxodo na Guarda Municipal. Quatro guardas já deixaram a corporação e, sem investimentos urgentes, o quadro continuará reduzindo.
“Já foram quatro guardas embora. Não tem perspectiva.”
Para que a Guarda funcione minimamente, Peruchi aponta soluções claras e urgentes:
“O foco nosso em Guaratuba é resolver o problema da Guarda. Precisamos comprar imediatamente os coletes balísticos, munição para as armas doadas pela Guarda Municipal de Campo Largo, deixar a guarda com camburão e, além de tudo, chamar mais uns 35 guardas para fechar 60 guardas, que é o ideal para se trabalhar.”
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A lei federal exige estrutura, proteção e dignidade para os guardas municipais
A Lei Federal nº 13.022/2014 é clara ao estabelecer as condições mínimas que as prefeituras devem garantir às Guardas Municipais. Entre os principais pontos estão:
• Equipamentos de proteção individual, como coletes balísticos e armamento funcional;
• Fornecimento de uniformes padronizados e adequados;
• Viaturas apropriadas e identificadas;
• Capacitação e progressão funcional da categoria.
Ignorar essas normas significa desrespeitar a lei, colocar a vida dos agentes e da população em risco e permitir que o abandono institucional continue.
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Quanto a Prefeitura investe na segurança pública?
Diante de tantos problemas, uma pergunta precisa ser feita com urgência: quanto a Prefeitura de Guaratuba tem investido nas forças de segurança pública do município?
Se há verba para apoiar essas instituições estaduais, por que a Guarda Municipal — que é responsabilidade direta da gestão local — segue sendo tratada como algo secundário, sem prioridade, sem respeito e sem estrutura?
A população merece uma resposta.
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Clic Litoral procurou a Prefeitura de Guaratuba
O Clic Litoral entrou em contato com a Prefeitura de Guaratuba, buscando um posicionamento oficial sobre as denúncias apresentadas. Assim que houver resposta, a matéria será atualizada com a nota da administração municipal.
Nosso compromisso é com a verdade, com o povo e com a segurança.
Enquanto criminosos seguem agindo, os guardas que deveriam proteger estão largados. E a cidade inteira sente na pele os reflexos desse abandono.
Não há como garantir segurança pública com armas sem munição, coletes que não existem, viaturas incompletas e servidores desmotivados. Não há como proteger vidas sem estrutura mínima.
🟦 Atualização em andamento:
A Secretaria Municipal de Segurança informou que enviará um posicionamento oficial nesta sexta-feira, às 11h da manhã. Assim que a nota for recebida, o conteúdo será atualizado no portal Clic Litoral.
